O Âmbito da Comunicação da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP), de São Paulo, encontrou-se com Irmã Eliane Anschau Petri, Filha de Maria Auxiliadora (FMA) que, no dia 24/01/2026, comemorou os seus 25 anos de Profissão Religiosa Consagrada, ou seja, celebrou as “Bodas de Prata”.
Irmã Eliane Anschau Petri é natural do estado do Rio Grande do Sul (RS), especificamente da cidade de Pirapò, e atualmente mora e trabalha em Roma, na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium.
Neste encontro com Irmã Eliane, um bate-papo interessante!
Âmbito da Comunicação: Irmã Eliane, conte-nos um pouco de você, de sua vida lá no Rio Grande do Sul e de sua trajetória no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.
Irmã Eliane A. Petri - Na minha vida e história vocacional não tem nada de extraordinário. Tudo foi sempre muito simples e ordinário. Nasci e cresci em uma cidade do interior, em uma pequena família (tenho somente um irmão) de fortes raízes cristãs. Dos meus pais aprendi a verdadeira pedagogia e teologia, aquela que se realiza na vida concreta dos cristãos simples e humildes, mas abertos para Deus. Frequentei a catequese e, nesse período, me chamava atenção a vida das Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã. Uma delas era minha catequista. A um certo momento comecei a participar de alguns encontros vocacionais promovidos por elas. Estava quase decidida a iniciar a formação nessa Congregação, quando por um desígnio de Deus - hoje eu leio como a pedagogia de Deus - conheci a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora.
Iniciei o meu percurso em São Luiz Gonzaga (RS). Prossegui fazendo o aspirantado e o postulado em Porto Alegre e o noviciado em São Paulo.
No dia 13 de janeiro de 2001 fiz a minha Primeira Profissão. A minha primeira experiência salesiana depois da Profissão foi em Campos Novos (SC). Foram anos felizes e de tantos aprendizados. Atuei na escola como professora de Ensino Religioso, coordenadora da Educação infantil, na animação de grupos juvenis e infância missionária, entre outras atividades. No mesmo período cursei Pedagogia, em Joaçaba (SC).
Depois de 5 anos nessa comunidade, uma nova obediência mudou completamente a minha vida. Fui chamada a frequentar o Curso de Espiritualidade Salesiana em Roma. Nesse meio tempo fiz a Profissão Perpétua, em Mornese, no norte da Itália. Um momento forte e significativo da minha vida, que vivi com alegria e com um certo desprendimento, porque não estavam presentes as irmãs da minha Inspetoria de origem e a minha família.
Completando os 2 anos de curso, estava feliz em retornar para o Brasil. Foi então que recebi uma obediência inesperada que, inicialmente, me custou muito. Continuar os estudos na área da Teologia e preparar-me para a missão de docente na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação “Auxilium”. Os anos se passaram, e estou aqui nessa missão linda e desafiadora. Aprendi muito e continuo aprendendo, vivendo em uma comunidade e em uma Faculdade internacional. Essa missão foi e continua sendo um laboratório de vida e de formação contínua.
Âmbito da Comunicação: Comemorar 25 anos de Profissão Religiosa é comemorar a vida que foi acontecendo ao longo deste tempo. Como foi a emoção de fazer os Votos no Instituto FMA lá no ano 2001, e qual foi a emoção de poder celebrar o Jubileu de Prata em 2026? Emoções diferentes ou a mesma emoção com intensidade diferente?
Irmã Eliane A. Petri - Relembrar o caminho e as emoções vividas é fazer memória do amor de Deus, da sua fidelidade. Na Primeira Profissão vivi a alegria de doar-me totalmente ao Senhor, junto com um pouco de medo diante do futuro e de não conseguir responder totalmente ao chamado de Deus. Relembro a alegria e o entusiasmo com os quais pronunciei a fórmula da nossa Profissão religiosa. Hoje, depois de 25 anos, sinto que essa alegria e entusiasmo são reforçados pelas experiências desses anos, e o medo inicial foi se transformando em abandono ao Senhor, que faz grandes coisas mesmo diante das nossas fragilidades, pequenez e inconstâncias. Hoje, quando rezo e reflito sobre a fórmula da nossa Profissão religiosa (síntese da nossa vida salesiana), rezo com mais consciência e confiança porque a vida mesmo, com alegrias e dificuldades, foi me confirmado na certeza de que “tudo posso naquele que me fortalece” (Fil 4,13). Sinto que as emoções iniciais foram e vão gradualmente se transformando em convicções de vida.
Âmbito da Comunicação: Hoje, olhando para a trajetória de 25 anos de Vida Religiosa Consagrada, quais os aprendizados que ficam? Algum arrependimento?
Irmã Eliane A. Petri - Diante da beleza e também dos desafios da minha escolha vocacional e da missão salesiana, aprendi pouco a pouco a confiar mais em Deus e a não contar apenas com as minhas próprias forças. Aprendi a confiar nas pessoas que caminham comigo e que me acompanham, porque é um dom precioso ter alguém que nos ajude a ver com mais clareza e a seguir em frente. Aprendi a acreditar na força e na beleza dos jovens e a caminhar com eles, assim como a acreditar que a comunhão e a fraternidade são possíveis, sem idealizar a vida, nem as comunidades, nem a missão.
Mas a aprendizagem que reúne todas as outras é esta: a minha vida não pertence só a mim. Eu a entreguei a Deus e, por meio dele, ao povo, especialmente aos jovens. Por isso, não há arrependimento, a não ser o de não ter amado mais e melhor e de não ter feito todo o bem que me era possível.
Âmbito da Comunicação: Um grande desafio para a Vida Religiosa Consagrada neste nosso tempo é a diminuição das vocações. Parece que hoje as jovens já não conseguem mais dar um passo e decidir pela Consagração. Sabemos que a diminuição do número de jovens vocacionadas à Vida Consagrada tem diferentes causas.
Para aquelas jovens que estão em nossas casas de formação ou que estão pensando em uma opção diferente, talvez querendo ser Filhas de Maria Auxiliadora, qual a mensagem que você deixa?
Irmã Eliane A. Petri - Vale a pena responder ao chamado de Deus: Ele nunca decepciona. O medo e a insegurança diante do futuro, ou de um “sim” para sempre, às vezes nos bloqueiam e nos confundem. Por isso, é fundamental um bom discernimento e um acompanhamento sério. As dificuldades fazem parte do caminho, mas quem tem Deus como centro da própria vida não se perde nem fica sem rumo. O essencial é aprender a reconhecer a sua voz e descobrir onde Ele nos chama a ser felizes. Deus nos quer felizes. O mundo de hoje precisa do testemunho de pessoas consagradas felizes, capazes de gerar alegria e vida ao seu redor.
Uma segunda mensagem é: vivam a vida com plenitude, sem deixar que o tempo simplesmente passe. Há uma alegria profunda em doar a própria vida para que outros tenham vida. E isso sem idealizações: nada é mais belo do que uma vocação simples e radical, que cresce com humildade e paciência no cotidiano.
Por fim, a vocação precisa ser cuidada como um tesouro ao longo de toda a vida. Quem ama a própria vocação, a cultiva com fidelidade e paciência, consciente de que o tesouro recebido nós o levamos em vasos de barro (cf. 2 Cor 4,7).